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​Estudo inédito propõe abate humanitário de peixes


Um estudo inédito busca colaborar no uso de técnicas que permitam o abate humanitário de peixes. A ideia é construir protocolos na indústria a exemplo do que já existe em outros setores de proteínas como aves, bovinos e suínos. A iniciativa é de pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Itaipu Binacional.
 
 
Além de reduzir o sofrimento animal a pesquisa visa economia e qualidade do produto. Conforme o engenheiro agrônomo André Watanabe, da Divisão de Reservatório da Itaipu, o abate humanitário nessas cadeias produtivas utiliza eletrochoques para sedar os animais antes do abate propriamente dito. Com peixes, utiliza-se gelo, processo que é bem mais demorado e não elimina o sofrimento do animal.
 
“O uso da eletricidade permite processo de atordoamento mais rápido e econômico”, explica Watanabe. “E também resulta em uma carne de melhor qualidade. Porém, o emprego dessa técnica para os peixes requer mais estudos. Há uma grande variação na eficiência de atordoamento em função das características de cada espécie, como o tamanho, por exemplo. Para cada espécie poderá existir um procedimento específico”, acrescenta.
 
Para estabelecer esses protocolos, o Laboratório de Bem-estar Animal (Labea), usou equipamentos de pesca elétrica, importados pela Itaipu para a captura com fins de monitoramento e estudos desenvolvidos sobre espécies nativas do Rio Paraná. Atualmente, a equipe possui um sistema específico para aplicação na piscicultura.
 
Os estudos utilizaram 140 peixes das espécies jundiá e pacu, distribuídos em dois grupos. Para um, foi utilizado como protocolo um choque de 125 Volts, 30 Hertz, ciclo de trabalho de 90% e 1,3 Ampere por 30 segundos. Para o outro, a sedação foi realizada com 400 V, 30 Hz, ciclo de 27% e 0,9 A por 30 s. O estudo em específico atestou a eficiência de sedação em 100% dos animais no grupo de 400 V.
 
“Esses testes realizados com o pacu e o jundiá são inéditos e certamente serão referência para estudos e futura publicação normativa a respeito desse método para a indústria de pescado, o que é bastante importante para a região Oeste do Paraná, onde se encontra um dos principais polos de cultivo de peixes do País”, garante Watanabe.
 
Os resultados em pacu e jundiá podem subsidiar novas pesquisas e estimular a atualização da normativa de abate humanitário, na qual os peixes não estão contemplados.
Por: AGROLINK -Eliza Maliszewski
Foto:  Divulgação