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​Saint Peter é Tilápia? Saiba por que existem os dois nomes no mercado


Tilápia e Saint Peter. Quando se fala em peixe, seja no varejo ou na alimentação fora de casa, os dois nomes aparecem. Talvez você não saiba, mas os dois são praticamente a mesma coisa. O produto comercializado como Saint Peter é uma "variação" da tilápia comum. A espécie foi adaptada geneticamente em Israel e nos Estados Unidos, para promover melhores condições de produção, ser um pouco maior e gerar rentabilidade.
 
O sabor e os nutrientes do Saint Peter e da tilápia comum são os mesmos. Mas pode-se dizer que o primeiro nome é mais "gourmetizado". “É uma prática comum ao mercado a criação de nomes para designar ideias que queremos inspirar. Em geral, é algo que já existe, com uma roupagem nova, para inserção em novos segmentos”, afirma Valter Palmmieri Junior, pesquisador da Unicamp, que estudou a “gourmetização” dos produtos alimentícios em sua tese de doutorado.
 
Intencionalmente ou não, ao dar nomes diferentes, busca-se estimular uma tendência. É comum nos itens gourmetizados uma especificação para criar um maior valor agregado ao consumidor. A esses produtos, é associada uma mensagem de melhor experiência de consumo, emitida por diversos meios: na embalagem, aparência, publicidade e apresentação em pontos de venda.
 
“Trata-se de uma prática adotada por profissionais, empresas e instituições para agregar valor a determinado produto por meio da diferenciação”, afirma Palmmieri.
 
Consumo cresce no Brasil
 
 
Seja de tilápia ou Saint Peter, o consumo no Brasil está em alta. Mais preocupado após a pandemia, o consumidor tem buscado opções consideradas mais saudáveis de proteína animal, como peixes. A tilápia, por sua vez, se destaca pelo preço mais baixo quando comparado aos pescados. Para os restaurantes, aparece como boa opção pelo fornecimento perene e pouca volatilidade de preços.
 
A inserção da tilápia nos restaurantes de comida japonesa e a popularização dos pokes, da gastronomia havaiana, também contribuíram para o aumento do consumo. O sabor suave é um dos seus principais atrativos, mas o baixo teor de gordura é o que tem atraído o consumidor.
 
“Quando comparado com outras fontes de proteína animal, a tilápia é uma excelente escolha quando analisamos os macronutrientes, como proteínas, carboidratos e gorduras”, aponta a nutricionista Daniela Cierro, vice-presidente da ASBRAN (Associação Nacional de Nutrição).
 
Uma porção de 100 gramas de tilápia possui, em média, 20 gramas de proteínas e 1,7 grama de gordura e 96 calorias. O peixe é também fonte de Ômega-3, que contribui na diminuição dos riscos de doenças cardiovasculares, reduz os processos inflamatórios e ajuda no desenvolvimento cerebral. Possui ainda potássio, fósforo, cálcio e outros minerais em menor escala.
 
Hoje, a tilápia é o segundo peixe mais produzido no mundo, atrás apenas das carpas, produzidas em larga escala na China, para consumo no próprio país. A produção mundial, impulsionada pelo consumo, é crescente.
 
Segundo estudos da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), em 2021 a produção global de tilápias cresceu 2% em 2021, superando 6,2 milhões de toneladas. O Brasil é o 4º produtor mundial de tilápias, atrás apenas de China, Indonésia e Egito. A espécie é a mais cultivada no país, representando 63,5% da produção nacional de peixes de cultivo.
Por Maria Emília Zampieri — Redação Globo Rural
Foto: Divulgação